CTG Brasil e SENAI-PE concluem projeto em Suape com soluções para a cadeia do hidrogênio verde e descarbonização industrial
A CTG Brasil e o SENAI Pernambuco concluíram o projeto Distrito Industrial Verde no Complexo Industrial Portuário de Suape, com um workshop, nesta terça-feira (1). A iniciativa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação com foco em soluções tecnológicas foi desenvolvida para apoiar a formação de ecossistemas de Hidrogênio Verde (H₂V) e a descarbonização de distritos industriais.
Com investimento total de aproximadamente R$ 9,8 milhões, o projeto foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), incluindo aportes e contrapartidas econômicas e financeiras dos participantes. O projeto reuniu a CTG Brasil, SENAI Pernambuco, SENAI Rio Grande do Norte, Complexo Industrial Portuário de Suape, Sinapsis Inovação em Energia, Way2 Tecnologia e EIDEE Design.
“Projetos voltados ao hidrogênio verde e à descarbonização industrial fazem parte da estratégia de inovação da CTG Brasil, pois contribuem para a construção de um sistema elétrico mais sustentável, eficiente e preparado para os desafios da transição energética. Essa iniciativa nos permitiu gerar conhecimento, validar novos modelos de negócio e criar bases tecnológicas que podem contribuir para a expansão da economia de baixo carbono no Brasil, além de reforçar o potencial de Pernambuco e do Complexo de Suape como referências no desenvolvimento dessa nova cadeia energética”, destaca Fernanda Martins, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Inovação da CTG Brasil.
A iniciativa estruturou uma arquitetura tecnológica que conecta quatro frentes complementares:
– a demanda por descarbonização no Complexo Industrial Portuário de Suape;
– a identificação de oportunidades de localização e produção de hidrogênio verde;
– o monitoramento e a rastreabilidade da produção;
– e a estruturação de mecanismos digitais de comercialização.
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Essa abordagem parte do princípio de que etapas normalmente tratadas de forma isolada precisam ser conectadas para apoiar a formação de novos mercados de Hidrogênio Verde.
O SENAI atuou em dois eixos do projeto. No primeiro, o eixo territorial e energético, o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) desenvolveu metodologias para identificar áreas mais adequadas à implantação de projetos de H₂V, considerando disponibilidade de recursos solar e eólico, restrições técnicas e socioambientais, proximidade dos mercados consumidores, infraestrutura logística e custos. Foram desenvolvidos modelos computacionais, bases georreferenciadas e ferramentas de visualização para apoiar a avaliação de oportunidades de produção.
Já no eixo de produção e rastreabilidade, o Instituto SENAI de Inovação para Tecnologias da Informação e Comunicação (ISI-TICs) desenvolveu soluções envolvendo sensores, telemetria, processamento de dados, Data Lake e blockchain para acompanhar informações da produção de hidrogênio e estruturar mecanismos digitais de rastreabilidade e apoio à comprovação de origem. A arquitetura foi validada em ambiente relevante no SENAI Park em Suape. Os testes com dados reais foram realizados em períodos específicos, embora limitações operacionais da planta piloto tenham restringido campanhas contínuas e massivas de produção.
O projeto também estruturou mecanismos de blockchain para ampliar a autenticidade, integridade e rastreabilidade das informações utilizadas no processo de certificação. A iniciativa, entretanto, não teve como objetivo implantar um mercado comercial de H₂V nem emitir certificação oficial do produto. A oficialização de determinados mecanismos de certificação e integrações regulatórias depende da evolução institucional e regulatória do mercado.
“A descarbonização é inegociável para o SENAI Pernambuco. Nesse projeto a gente cria um espaço tanto para a rastreabilidade da produção do hidrogênio verde, como também chegar aos níveis de comercialização. Ou seja, como conectar produtores e interessados em consumir hidrogênio de baixo carbono”, ressaltou o gerente de inovação e tecnologia do SENAI-PE, Ricardo Brazileiro.
Os resultados obtidos permitiram validar a arquitetura tecnológica em ambiente relevante. Entre os avanços estão a criação de ferramentas de inteligência territorial, soluções de monitoramento e rastreabilidade, mecanismos digitais de apoio à certificação e MVPs de comercialização. A iniciativa integra o conjunto de projetos de Pesquisa e Desenvolvimento voltados à inovação no setor elétrico brasileiro, utilizando o hidrogênio verde como vetor tecnológico para apoiar a transição energética e a descarbonização industrial com potencial de aplicação em outros polos industriais e energéticos.